{"id":18721,"date":"2025-07-17T18:19:41","date_gmt":"2025-07-17T18:19:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pinekr.com\/ciclo-de-cinema-na-cinemateca-as-cidades-nos-51\/"},"modified":"2025-07-17T18:19:41","modified_gmt":"2025-07-17T18:19:41","slug":"ciclo-de-cinema-na-cinemateca-as-cidades-nos-51","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pinekr.com\/ar\/ciclo-de-cinema-na-cinemateca-as-cidades-nos-51\/","title":{"rendered":"Ciclo de cinema na Cinemateca: as cidades nos filmes vol 2"},"content":{"rendered":"<p>Olha-se para a cidade do Dubai e qualquer pessoa se espanta sobre como um peda\u00e7o de deserto mais ou menos imprest\u00e1vel se tornou numa das cidades mais din\u00e2micas e arquitectonicamente desafiante. Uma maneira de saber como aconteceu, n\u00e3o necessariamente a \u00fanica nem a mais fiel, est\u00e1 impressa no filme de Christian Von Borries, para quem o \u201cDubai talhou para si pr\u00f3prio a reputa\u00e7\u00e3o de objecto te\u00f3rico.\u201d Ideia que o cineasta alem\u00e3o procura demonstrar (ou desmontar) nesta esp\u00e9cie de divertimento militante onde joga com as conven\u00e7\u00f5es e as imagens interagem com a narra\u00e7\u00e3o e a inscri\u00e7\u00e3o de textos. S\u00e3o Joseph Cotten, Alida Valli e Trevor Howard quem faz, por assim dizer, as honras da casa neste filme de Carol Reed, passado numa <a href=\"https:\/\/partamos.cl\/juego\/sweet-bonanza\/\">Compra de giros gratis: accede al modo dulce sin esperar<\/a> Viena nunca assim filmada como nesta hist\u00f3ria de ingenuidade, oportunismo e mist\u00e9rio.<\/p>\n<ul>\n<li>Olha-se para a cidade do Dubai e qualquer pessoa se espanta sobre como um peda\u00e7o de deserto mais ou menos imprest\u00e1vel se tornou numa das cidades mais din\u00e2micas e arquitectonicamente desafiante.<\/li>\n<li>Para al\u00e9m das considera\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas suscitadas pela obra, o mais importante, aqui, \u00e9 a extraordin\u00e1ria realiza\u00e7\u00e3o de Lang, principalmente a utiliza\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica das centenas de figurantes sobre o cen\u00e1rio futurista.<\/li>\n<li>Sess\u00e3o tripla que, al\u00e9m do filme de Edgar P\u00eara, A Cidade de Cassiano (Grande Pr\u00e9mio da Biennale International du Film d\u2019Architecture e Pr\u00e9mio Cr\u00edtica Festival Filmes de Arte Montreal em 1991), sobre a obra do arquitecto Cassiano Branco, principalmente o Cinema \u00c9den, nos Restauradores (hoje um hotel), inclui ainda Hoje Estreia e Vamos ao Nimas.<\/li>\n<li>Nada melhor para acabar o m\u00eas do que um filme de um grande mestre do cinema, um daqueles realizadores de que s\u00f3 nos lembramos quando o rei faz anos, ou quando acontece qualquer coisa na \u00cdndia e est\u00e1 um cin\u00e9filo por perto que j\u00e1 viu \u201cisso num filme\u201d\u2026 de Satyajit Ray.<\/li>\n<li>A parte do meio costuma ser a melhor \u00e9 uma lei que talvez n\u00e3o se aplique aos ciclos de cinema, mas fica bem \u00e0 segunda de tr\u00eas partes do ciclo, &quot;O Cinema e a Cidade&quot;.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Cidades como nunca se viram &#8211; Vol.1<\/h2>\n<p>J\u00e1 se disse, mas deve repetir-se, pois as cidades e a sua arquitectura f\u00edsica e moral, verdadeiras ou imaginadas, h\u00e1 muito que deixaram de ser paisagem para se tornarem parte do drama, com se v\u00ea nestes nove filmes urbanos. Quem aprecia ou tem curiosidade por \u201cum mapa n\u00e3o-linear da evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e pol\u00edtica da cidade de Londres e do Reino Unido em geral\u201d tem, no filme de Patrick Keiller (assim como em Robinson in Space e Robinson in Ruins), estreado em 1994, muito com que se entreter. Depois de, a bem dizer, um trio de ensaios sobre arquitectura das cidades, Martin Scorsese apresenta a cidade vista do seu lado mais s\u00f3rdido com a colabora\u00e7\u00e3o das grandes interpreta\u00e7\u00f5es de Robert de Niro e Jodie Foster, principalmente, mas tamb\u00e9m de Cybill Shepherd, Harvey Keitel e Peter Boyle. O argumento \u00e9 de Paul Schrader e com ele penetra-se no submundo de uma cidade decadente no final da d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo XX onde um taxista resolve aplicar uma vers\u00e3o muito pessoal da lei das ruas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"display: block;margin-left:auto;margin-right:auto;\" width=\"602px\" alt=\"restaurante chino sheng\" src=\"C:\\Users\\\u0412\u043e\u043b\u043e\u0434\u0438\u043c\u0438\u0440\\AppData\\Roaming\\scm-next-plus\\content_cache\\68b6a3c5610da716ebc2fa2d\\cache\\restaurante chino sheng\\images\\restaurante_chino_sheng_(23).jpeg\"\/><\/p>\n<h3>A Cidade de Cassiano\/ Hoje Estreia\/ Vamos ao Nimas<\/h3>\n<p>Adeus Dragon Inn, filme dirigido em 2003 por Tsai Ming-liang, com Lee Kang-sheng, Chen Shiang-chyi, Kiyonobu Mitamura, Chun Shih e Miao Tien, \u00e9 uma homenagem aos chamados \u201cwu xia\u201d, g\u00e9nero de cinema popular chin\u00eas onde os sabres tinham papel importante, e, filmando a \u00faltima sess\u00e3o de um cinema destinado ao encerramento, cria uma variedade de cerim\u00f3nia f\u00fanebre a partir do filme de King Hu, Dragon Inn, com a cumplicidade de dois velhos actores que nele participaram. Nesta sess\u00e3o \u00e9 igualmente apresentado La Morte Rouge, que V\u00edctor Erice realizou, em 2006, para a exposi\u00e7\u00e3o \u201cErice \u2013 Kiarostami Correspondencias\u201d. Rodado em Barcelona durante tr\u00eas anos, entre 1997 e 2000, \u00e9 dos filmes mais conhecidos e considerados do realizador catal\u00e3o Jos\u00e9 Luis Guer\u00edn. Nesta pel\u00edcula, Guer\u00edn, de certo modo, assinala como a gentrifica\u00e7\u00e3o alterou a cidade a partir do exemplo da demoli\u00e7\u00e3o de uma zona degradada do Bairro Chino e a sua substitui\u00e7\u00e3o por um complexo residencial destinado \u00e0 classe m\u00e9dia, na altura ainda em ascens\u00e3o. Sess\u00e3o tripla que, al\u00e9m do filme de Edgar P\u00eara, A Cidade de Cassiano (Grande Pr\u00e9mio da Biennale International du Film d\u2019Architecture e Pr\u00e9mio Cr\u00edtica Festival Filmes de Arte Montreal em 1991), sobre a obra do arquitecto Cassiano Branco, principalmente o Cinema \u00c9den, nos Restauradores (hoje um hotel), inclui ainda Hoje Estreia e Vamos ao Nimas. No primeiro, Fernando Lopes acompanha a reconstru\u00e7\u00e3o do Condes (edif\u00edcio onde agora encontra a redac\u00e7\u00e3o da Time Out e um conhecido restaurante) depois do inc\u00eandio que quase o destruiu em 1967; enquanto Lauro Ant\u00f3nio, em obra de 1975, elabora um roteiro lisboeta sobre as velhas salas de cinema da capital, umas j\u00e1 desaparecidas, outras, nesta altura, ainda em funcionamento \u2013 todas, entretanto, fechadas.<\/p>\n<h3>Bras\u00edlia, Contradi\u00e7\u00f5es de Uma Cidade Nova (<\/h3>\n<p>A\u00ed pelos anos de 1960, o filme em epis\u00f3dios era um subg\u00e9nero bastante popular, pois, aparentemente, permitia uma vis\u00e3o distinta do mesmo objecto de observa\u00e7\u00e3o. Foi com essa inten\u00e7\u00e3o que Jean Douchet reuniu os realizadores Jean Rouch, Jean-Daniel Pollet, Eric Rohmer, Jean-Luc Godard e Claude Chabrol para contarem cinco hist\u00f3rias distintas passadas em diferentes bairros de Paris. A parte do meio costuma ser a melhor \u00e9 uma lei que talvez n\u00e3o se aplique aos ciclos de cinema, mas fica bem \u00e0 segunda de tr\u00eas partes do ciclo, &quot;O Cinema e a Cidade&quot;. Se voc\u00ea vem para Datong, ser\u00e1 principalmente pelas cavernas Yungang, t\u00e3o excepcionais que foram classificadas pela UNESCO como Patrim\u00f4nio da Humanidade. Se voc\u00ea \u00e9 de tend\u00eancia budista, voc\u00ea vai gostar j\u00e1 que muitas cavernas tem centenas de milhares de Budas, esculpidos na pedra. Recomendo levar uma filha com o nome do lugar escrito em chino para pegar um taxi no dia, pois as cavernas est\u00e3o a uns 20km da cidade, justamente o contr\u00e1rio do templo suspenso.<\/p>\n<h2>Cinema: cidades como nunca se viram &#8211; Vol.2<\/h2>\n<p>Nada melhor para acabar o <a href=\"https:\/\/www.shengli.pt\/\">&quot;sheng li<\/a> m\u00eas do que um filme de um grande mestre do cinema, um daqueles realizadores de que s\u00f3 nos lembramos quando o rei faz anos, ou quando acontece qualquer coisa na \u00cdndia e est\u00e1 um cin\u00e9filo por perto que j\u00e1 viu \u201cisso num filme\u201d\u2026 de Satyajit Ray. Este \u00e9 a sua primeira grande incurs\u00e3o pelo universo arquitect\u00f3nico e social de Calcut\u00e1, e um dos seus filmes maiores onde, como quase sempre, \u00e9 central o papel de mulher indiana na fam\u00edlia e na sociedade, aqui com o b\u00f3nus de um extraordin\u00e1ria interpreta\u00e7\u00e3o de Madhabi Mukherjee \u2013 que, ali\u00e1s, estaria ainda melhor em Charulata, o filme seguinte e a obra-prima de Ray. Dizer que Metr\u00f3polis \u201c\u00e9 uma par\u00e1bola sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais numa cidade do futuro\u201d, hoje, \u00e9 mais uma amea\u00e7a do que a profecia que foi em 1927, quando o filme de Fritz Lang estreou. Na verdade, perante as transforma\u00e7\u00f5es sociais e as radicais altera\u00e7\u00f5es do trabalho anunciadas para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, o filme do realizador alem\u00e3o, em que os ricos vivem o seu privil\u00e9gio nas alturas e os trabalhadores habitam os subterr\u00e2neos, a par\u00e1bola torna-se assustadora previs\u00e3o que a fantasiosa reconcilia\u00e7\u00e3o de classes do final n\u00e3o alivia. Para al\u00e9m das considera\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas suscitadas pela obra, o mais importante, aqui, \u00e9 a extraordin\u00e1ria realiza\u00e7\u00e3o de Lang, principalmente a utiliza\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica das centenas de figurantes sobre o cen\u00e1rio futurista. Esta sess\u00e3o inclui ainda a apresenta\u00e7\u00e3o de Manhatta, filme dirigido por Paul Strand e Charles Sheeler, em 1921, apresentado como \u201ca primeira \u2018sinfonia urbana\u2019 que se conhece e um marco na hist\u00f3ria do modernismo\u201d criado a partir de um poema de Walt Whitman.<\/p>\n<h2>Chacun Son Cinema ou Ce Petit Coup au Coeur Quand la Lumi\u00e8re S\u2019eteint et le Film Commence (<\/h2>\n<p>E nele encontra-se uma capital, novinha em folha, constru\u00edda sobre a ilus\u00e3o de \u201cque arquitectura e o urbanismo podem resolver os problemas sociais\u201d, no entanto cheia de contradi\u00e7\u00f5es e problemas sobre a reluzente e elegante fachada. Na mesma sess\u00e3o ser\u00e3o exibidos ainda A Cidade \u00c9 Uma S\u00f3, de Adirley Queir\u00f3s, e, de Matthias M\u00fcller, Vacancy. \u201c\u00c9 a hist\u00f3ria da inicia\u00e7\u00e3o de dois jovens provincianos nos problemas da cidade e do amor\u201d, dizia, deste seu primeiro e fundamental filme, Paulo Rocha, que, com ele, em 1963 (a meias, digamos com Belarmino, de Fernando Lopes), inaugurou o Cinema Novo Portugu\u00eas. Com interpreta\u00e7\u00e3o de Isabel Ruth, Rui Gomes, Ruy Furtado e Paulo Renato, e o tema original de Carlos Paredes a acentuar a dramaticidade do enredo, temos aqui um olhar, ao mesmo tempo, terno e amargo sobre Lisboa.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olha-se para a cidade do Dubai e qualquer pessoa se espanta sobre como um peda\u00e7o de deserto mais ou menos imprest\u00e1vel se tornou numa das cidades mais din\u00e2micas e arquitectonicamente desafiante. 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